Aqui estou eu de novo. Aqui em Lisboa pois o meu Erasmus acabou em Fevereiro. Agora sim, olhando para trás, com distância temporal, posso avaliá-lo de maneira coerente e precisa.
Acabei de ler todos os posts de seguida. Do primeiro ao último. Ri-me, sorri e soltei umas lágrimas. O que posso concluir: aqueles quatro meses estão incluidos nos melhores da minha vida. Olho para trás e não faria nada diferente. Repetiria até os erros porque foram Lições de Vida.
O Erasmus (viver fora do país natal) ensinou-me várias coisas mas as duas mais importantes são: o verdadeiro significado da palavra saudade e o que são verdadeiros amigos. Se um dia pensei "Ah, saudade é mudar de cidade dentro do país". "Ah" não. Saudade é estar longe e não poder falar e ouvir a voz dos mais queridos, pelos mais diversos motivos.
Em relação a verdadeiras amizades, quem já fez Erasmus certamente partilha o mesmo que eu. Antes de irmos tinhamos amigos que quando voltamos deixam de o ser, decisão que, normalmente, é tomada por nós próprios, pelos mais diversos motivos.
Relativamente às diferenças culturais, conheci imensas mas há uma que quero destacar. Não querendo deitar Portugal abaixo (sei avaliar as qualidades dos portugueses), notei nos espanhóis, italianos, ingleses, franceses, holandeses e belgas (as nacionalidades com quem convivi) uma qualidade exemplar: não se interessam pela vida dos outros... Não se interessam pela vida dos outros com aquela maldade que o português se interessa. Claro que devem existir "bisbilhoteiros" pelo Mundo mas de todas as pessoas que conheci e convivi dentro e fora da faculdade, nunca notei esta caractarística tão portuguesa. O português gosta de dizer mal. Mal de si, mal dos outros, mal do irremediável e do remediável da Vida. O estrangeiro gosta de viver. Gosta de aproveitar o que a vida tem de bom para nos dar.
O meu conselho fica: façam Erasmus. Se não puderem, pelos mais diversos motivos, aventurem-se a viver no estrangeiro durante um ano, nem que seja. Depois decidem se querem voltar. Eu quis voltar. Adoro o meu país. O conceito de "confortável" que existe no dicionário não serve, de maneira nenhuma para caracterizar o quão "confortável" o nosso país é. É seguro, é acolhedor, é pacato, é descontraído... como se diz hoje em dia, "É fofinho". E isto ninguém nos tira.
